Pular para o conteúdo principal

Hoje é dia de Derby


Derby, uma palavra inglesa que acompanhada dos grandes rivais Palmeiras e Corinthians, cria vida própria.
As emoções que remetem a este grande clássico do futebol mundial transcendem as quatro linhas, os 90 minutos, o estádio e, em vários casos, se transformam em lendas, epopeias, grandes batalhas. Vilões se transformam em ídolos e vice versa, menos que por efêmeros momentos. Jogos como estes são capazes, como na vida real e não por acaso, de mudar o rumo dos times nos campeonatos, inverter completamente o estado de espírito, de autoconfiança reinante em cada um dos lados. São raros os confrontos que possuem esse poder mágico de mexer com toda uma cidade, uma nação e que, por 90 minutos, se transformam na coisa mais importante da vida.
Muitos podem estar perguntando qual a origem desse termo dentro do futebol. Segue abaixo uma versão resumida que encontrei na internet:

Derby em Derbyshire
A origem vem da palavra "derby" – ou dérbi, segundo o aportuguesamento da palavra original inglesa, proposto pelos dicionários aplica-se ao futebol para determinar um jogo entre duas equipes da mesma cidade
Embora existam várias teorias, a que reúne maior consenso situa a origem na cidade inglesa de Ashbourne, no Derbyshire, onde desde a Idade Média se disputa na Terça-Feira Gorda e na Quarta-Feira de Cinzas (Carnaval) um jogo que envolve toda a população, dividida em duas paróquias em representação das duas margens do rio Henmore.

Derby em Derbyshire
O jogo consiste em conduzir uma bola (ou algo parecido) até às balizas, situadas em cada extremidade da povoação, a cerca de três milhas uma da outra.
Derby em Derbyshire
O “Royal Shrovetide Match” é o grande cartaz turístico anual de Ashbourne: o pontapé de saída é dado às 2 horas daqueles dois dias, junto ao supermercado no centro da cidade e , desde 1909, as partidas entre times de uma mesma localidade.
De toda forma, os dérbis atualizaram rivalidades ancestrais, oposições (reais ou imaginárias) políticas, religiosas, étnicas.


Palmeiras e Corinthians tem tudo a ver rivalidades ancestrais reais e imaginárias. Seguem alguns fatos que podem ser as causas desta rivalidade:
- Origem na mesma região ( Bom Retiro, Bexiga )
- Ambos surgiram na mesma época, início da década de 10
- Existem histórias não confirmadas sobre a saída de um grupo de italianos do Corinthians para fundarem o Palestra Itália
- O primeiro jogo em ambos aconteceu em 1917, com o Corinthians já Campeão Paulista por 02 vezes e, logo na primeira partida, vitória do Palestra Itália por 3 x 0.
- A primeira vitória do Corinthians, que já era campeão, só ocorreu na sexta partida entre ambos
- Na década de 30 ambos já eram os maiores ganhadores do Campeonato Paulista, 8 títulos para o Corinthians e 6 títulos do Palestra Itália.

Quem quiser consultar mais dados e fatos históricos, acessar esse link.
Dados e fatos históricos a parte, Palmeiras e Corinthians é O JOGO para ambos os lados. Por mais que possam surgir outras rivalidades com os outros grandes times de São Paulo, a aura que envolve esse dérbi é superior a qualquer outro jogo, tanto que é considerado um dos 10 maiores dérbis da história do futebol mundial.

Em dia de dérbi, acordamos com um frio na barriga, esperando ansiosamente cada minuto até chegar a grande hora. Diria que é quase um sofrimento, uma agonia interminável, até o jogo começar. É possível perceber nas ruas da cidade que a emoção desse jogo é praticamente palpável no ar.
Creio que essa emoção que brota nos corações de Palmeirenses e corintianos, vem da quase obrigação da vitória sobre o rival e ao mesmo tempo, o risco da derrota para ambos os lados, pois tudo pode acontecer independente se um dos times estiver melhor que o outro. Quantas histórias de jogos que o favoritismo de um dos times era tão grande e o resultado foi totalmente o oposto.
Ir ao estádio para ver esse jogo não tem preço. Todos se contagiam com o ambiente que é criado desde a segunda feira que antecede o jogo. Eu me lembro dos célebres jogos no Morumbi, aonde esperávamos para ver quais das torcidas iriam ocupar mais gomos na arquibancada. Quando um dos lados conquistava mais território, era um frisson geral. As entradas das bandeiras das torcidas organizadas era outro show a parte. Que espetáculo!
Não tem preço quando seu time marcava um gol e a gente via metade da arquibancada em silêncio e o famoso “Silêncio na Favela “  ecoando no Morumbi. Praticamente um orgasmo!!!
Ser campeão em cima do rival, ainda mais depois de 17 anos, fazendo 4 a 0 na final, e estar presente no estádio?
Quem teve esta oportunidade?

E agora eu vou soltar a minha voz....

Eu tive, como outros milhares de felizardos, tanto que gerou um dos meus primeiros blogs, pois foi o dia que eu gritei o Gol mais Gol da minha vida até hoje.

Tenho uma enorme relação e tenho certeza que a grande maioria das vezes eu saí vencedor. Pelo menos é o que meu coração diz.
Meu primeiro dérbi no estádio foi em 1986, o famoso jogo que o safado do Ulisses Tavares da Silva Filho meteu a mão no Palmeiras, não vendo Wilson Mano tirar a bola com a mão em cima da linha. Mas como dizia Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, nossa Vingança Saramaligna aconteceu 03 dias depois, no também inesquecível 3 a 0 com gol do Mirandinha aos 44 do segundo tempo. Essa foi minha primeira vitória sobre o rival no estádio. Inesquecível!!!
Desde 1986 até 1994 eu estive presente em inúmeros dérbis, indo de ônibus da CMTC ou de carro. Várias histórias para contar que merece um livro só pra contar cada um dos meus dérbis.
Hoje teremos mais um capítulo dessa história que desperta paixão, ódio, alegria, tristeza, raiva, nervosismo, tensão, festa, vibração.
Tenho certeza que o já saudoso Chico Anysio, se apaixonou pelo Palmeiras através dos dérbis.
Grande Chico Anysio, sua história e suas personagens serão eternos como esse imortal dérbi.


E você, atuais foram seus dérbis inesquecíveis estando no estádio ou não?
Quais histórias você tem pra contar sobre esse grande jogo?
Deixe seus comentários, compartilhe, participe.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Dono e os Chefs

Após sete mudanças de treinadores em apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, vários colunistas estão criticando o que já é recorrente na gestão do clubes brasileiros, a troca de treinadores por maus resultados ou expectativas não alcançadas.
Para tentar ilustrar de uma forma mais lúdica as consequências deste comportamento inaceitável dos gestores esportivos, convido o leitor a ler a seguinte historia:
O Dono e os Chefs
Uma churrascaria acaba de trocar de dono no início de dezembro e, como o negócio não ia bem, o dono resolveu trocar de churrasqueiro, pois os clientes estavam reclamando da qualidade da comida, tanto que as vendas estavam baixas recentemente.
O novo mestre churrasqueiro, juntamente com o dono, estavam com várias ideias e decidiram aumentar a variedade de carnes no cardápio. No começo do ano a curiosidade dos clientes fez com que aumentassem as vendas mas,  após 3 meses, os clientes já perceberam que a qualidade e a expectativa com o novo churrasqueiro fi…

Os fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores parte 2 : Precificação

Na semana passada iniciei uma série de posts referentes aos fatores que impactam na percepção de valor dos torcedores. O próximo fator que gostaria de compartilhar com vocês é a precificação dos ingressos.
Como ponto de partida dessa análise, vamos avaliar o comportamento do torcedor do São Paulo em alguns jogos no Morumbi:
23/03/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 1 x 0 Botafogo de Ribeirão Preto Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 3.118 Renda Bruta: R$ 123.026 Ticket Médio: R$ 39,49
06/07/2016 – Copa Libertadores da América São Paulo 1 x 2 Atlético Nacional (semi final) Dia da semana: quarta feira Horário: 21:45h Público Pagante: 61.766 Renda Bruta: R$ 7.526.480 Ticket Médio: R$ 121,85
22/10/2016 – Campeonato Brasileiro São Paulo 2 x 0 Ponte Preta Dia da semana: sábado Horário: 17:00h Público Pagante: 49.673 Renda Bruta: R$ 600.541 Ticket Médio: R$ 12,09
12/02/2016 – Campeonato Paulista São Paulo 5 x 2 Ponte Preta Dia da semana: domingo Horário: 17:00h Público Pagante: 50.952 Renda Br…

Os Alienistas

Tudo começou em 1995, na final da Supercopa São Paulo de Juniores. Após o gol de ouro que deu o título ao Palmeiras, os palmeirenses invadiram o gramado para comemorar e foram provocar os são paulinos, que, aproveitando a pouca presença de policiais, invadiram o gramado, transformando o campo de jogo na primeira batalha campal entre torcidas organizadas transmitidas ao vivo pela TV. 
As consequências foram a morte do garoto Márcio Gasparin, a condenação de Adalberto Benedito do Santos e, pela primeira vez, as organizadas Mancha Verde e Independente foram extintas pelo promotor público Fernando Capez, que comentou na época: “Era necessário um tratamento de choque.”
Como na belíssima obra O Alienista, de Machado de Assis, a partir dessa época começou a batalha dos Alienistas contra a festa popular nas arquibancadas do Brasil. Depois dessa medida, as bandeiras, instrumentos, faixas, papéis picados, rojões, fogos de artifício, sinalizadores foram proibidos, além de não poder vender cerveja.…